Wednesday, February 12, 2003

O SÉCULO AMERICANO

VALENTINO PARLATO
Il Manifesto

Tradução Imediata

A realidade é que estamos assistindo à queda da ilusão de um governo unilateral (USA) do mundo e que atravessamos uma crise histórica, e de não breve duração: "o Atlântico se partiu" é o título de hoje do il manifesto. É um pouco paradoxal, mas a guerra do Iraque, que é o motivo que desencadeou o processo, acaba parecendo marginal. Pode ser que a guerra do Iraque ocorra, pode ser que a França, a Alemanha e a Rússia acabem cedendo. Tudo isso é possível, mas é certo que a hegemonia dos EUA foi quebrada. Pode ser recosturada, mas não mais restabelecida e que ao longo de crises e conflitos, alguns mesmo perigosos, estamos nos dirigindo para um novo equilíbrio mundial, que não será fácil de ser alcançado. Enric Hobsbawm escreveu que alguns de seus leitores verão o fim do "século americano" e, talvez, ele acabará tendo razão.

A ruptura ocorreu sem eufemismos diplomáticos de ambos os lados. Os alemães, franceses e russos disseram que não querem se assenhorar e os americanos, pela boca de seus exponentes políticos e da imprensa, não colocaram limites aos insultos, sobretudo com relação à França. E falseiam a história quando jogam na cara dos franceses os seus méritos no desembarque da Normandia: aquele era o "século americano", quando as tropas dos EUA eram libertadoras e se encontravam com o maquis e com todas as forças da resistência européia e quando na frente do leste e antes do desembarque anglo-americano, tinha havido Estalingrado.

Hoje a situação é radicalmente diferente e se caracteriza, no contexto de uma crise geral da economia e da política, pela perda da hegemonia dos EUA: hegemonia que não é só força militar, mas que é sobretudo a capacidade do governo, da cultura, música, cinema, sem recorrer ao uso da força, que é só uma reserva que não deve ser usada. Durante o longo e dramático duelo entre os EUA e a URSS, teve lugar uma recíproca ‘’deterrence’’, a qual hoje faliu, mesmo com relação ao Iraque; mesmo se podemos nos questionar que os EUA, exatamente devido à fraqueza de governo, queiram exibir a força dos músculos.

Hoje a situação é radicalmente diferente daquela dos tempos do fim da segunda guerra mundial. Naquela época, não só estávamo no meio do século americano como, em todo o mundo, com o fim dos fascismos e colonialismos, foi inaugurado um dos períodos de mais extraordinário desenvolvimento da economia e da sociedade; os fabulosos anos dos milagres econômicos.

Hoje, esta ruptura do Atlântico, que pode se recompor com um papel autônomo da Europa e uma alienação da atual cúpula do poder dos EUA, ocorre numa situação com horizontes mais limitados, e sem que haja uma invenção de "novas fronteiras". O que está acontecendo parece uma abertura positiva, mas o caminho não será fácil e não devemos excluir a possibilidade de contragolpes e empurrões autoritários ao interior de países específicos, por outro lado já anunciados pela guerra ao Iraque e ao terrorismo.

Il secolo americano
VALENTINO PARLATO
Il Manifesto

Il dato di fatto è che siamo alla caduta dell'illusione di un governo unipolare (Usa) del mondo e che attraversiamo una crisi di portata storica, non di breve durata: «l'Atlantico si è rotto» titola oggi il manifesto. E' un po' paradossale, ma la guerra all'Iraq, che pure ne è il motivo scatenante, finisce con l'apparire marginale. Può darsi che la guerra all'Iraq si faccia, può darsi che Francia, Germania e Russia finiscano col cedere. Tutto questo è possibile, ma è del tutto certo che l'egemonia Usa si è spezzata. Potrà essere rappattumata, ma non più sanata e che attraverso crisi e conflitti, anche pericolosi, si deve andare a un nuovo equilibrio mondiale, che non sarà certo agevole raggiungere.
Enric Hobsbawm ha scritto che qualcuno dei suoi lettori vedrà la fine del «secolo americano» e, forse, finirà con l'aver ragione.

La rottura è senza eufemismi diplomatici da entrambi i fronti. I tedeschi, i francesi e i russi hanno detto di non voler stare a padrone e gli americani per bocca dei loro esponenti politici e della stampa non hanno messo limiti agli insulti, soprattutto nei confronti della Francia. E falsano la storia quando rinfacciano ai francesi i loro morti dello sbarco in Normandia; quello era il «secolo americano», quando le truppe Usa erano liberatrici e si incontravano con il maquis e con tutte le forze della resistenza europea e quando sul fronte dell'est e prima dello sbarco anglo-americano c'era stata Stalingrado.

Oggi la situazione è radicalmente diversa e si caratterizza, nel quadro di una crisi generale dell'economia e della politica, per la perdita dell'egemonia Usa: egemonia non è solo forza militare, ma è soprattutto capacità di governo, di cultura, musica, film, senza ricorrere all'uso della forza, che è solo una riserva da non usare. Nel lungo e drammatico duello tra Usa e Urss operò la reciproca deterrenza oggi la deterrenza è fallita pure nei confronti dell'Iraq; anche se può venire il dubbio che gli Usa, proprio per la debolezza di governo, vogliano esibire la forza dei muscoli.

Oggi la situazione è radicalmente diversa dai tempi della conclusione della seconda guerra mondiale. Allora non solo eravamo nel pieno del secolo americano, ma in tutto il mondo, con la fine dei fascismi e dei colonialismi, si aprì uno dei periodi di più straordinario sviluppo dell'economia e della società; i favolosi anni dei miracoli economici.

Oggi questa rottura dell'Atlantico, che può ricomporsi con un ruolo autonomo dell'Europa e una emarginazione dell'attuale cupola di potere Usa, avviene in una situazione con orizzonti più angusti e senza neppure l'invenzione di «nuove frontiere». Quel che sta accadendo appare una positiva apertura, ma il cammino non sarà facile e non sono affatto da escludere contraccolpi e spinte autoritarie all'interno dei singoli paesi, peraltro già annunciati dalla guerra all'Iraq e al terrorismo.
O POVO DOS EUA DEVE DEFENDER-SE DE… GEORGE W. BUSH

11 de fevereiro de 2003

Adolfo Pérez Esquivel
Adital

Tradução Imediata

Na recente carta que enviei ao presidente George W. Bush lhe expressei que 'Não desafie a Deus;... não pretenda construir a Torre de Babel da falta de misericórdia e do ódio', arrastado pela loucura do poder para assenhorar-se do mundo. A possível guerra contra o Iraque é repudiada pela comunidade internacional, e apoiada por aqueles que buscam seus próprios interesses econômicos e políticos, como pelo complexo industrial militar dos traficantes da morte.

'O povo dos Estados Unidos não deve deixar-se enganar pelos grandes monopólios informativos que buscam endemoniar e gerar inimigos reais ou potenciais. É necessário reagir frente à grave situação internacional, que o governo de George W. Bush pretende arrastar a uma guerra contra o Iraque e contra o mundo. Há setores que, dominados pelo medo se, submetem en nome da segurança à insegurança' e hipotecam a sua liberdade. A memória é vida da história e nos ilumina os caminhos que devemos recorrer; é necessário ter presente alguns ensinamentos do passado'.

Em 12 de janeiro de 1938, Hitler chama o então chanceler da Áustria para uma reunião, para dizer-lhe: isso não pode continuar mais assim. Eu sou um homem enviado pela providência para pôr ordem no mundo. Quem não estiver comigo, será destruído'. Em 12 de fevereiro de 1938, a Alemanha invade a Áustria, anexando-a, o chanceler austríaco é levado ao campo de concentração de Daschau, onde ficou prisioneiro até a queda do nazismo.

Depois do bárbaro atentado terrorista contra as torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001, escutamos algo semelhante: 'Quem não está conosco, está com os terroristas.'

'É a guerra do bem contra o mal', o anúncio das 'guerras preventivas'. A neutralização da ONU e dos organismos internacionais que se opõem à sua política hegemônica para assenhorar-se dos recursos energéticos do Iraque, como de outros países. A isso se soma a submissão e cumplicidade de governos como a Grã-Bretanha, a Espanha e a Itália. O povo dos Estados Unidos deve ter lembrança das políticas desenvolvidas pelos seus governos no mundo, carregadas de violência, invasões e submissão dos povos. Deve lembrar da guerra do Vietnã e das graves consequências para os povos e para o mundo. Reagiram quando os mortos eram soldados estadunidenses e chegavam em sacos de plástico. O governo dos Estados Unidos, que preside Bush, deve compreender que a força não lhes dá razão, nem o direito de impor sua vontade e dominação ao resto do mundo. O povo dos Estados Unidos deve analisar com senso crítico e humanitário as consequências da guerra. Volto a insistir uma vez mais. Todos sabemos como começam as guerras, porém ninguém sabe como terminarm; sim sabemos que a dor, as mortes, o sofrimento das gerações atuais e futuras e suas consequências as sofrem os povos.

O povo estadunidense tem a responsabilidade de agir em defesa da vida e da dignidade das pessoas e dos povos, antes que seja tarde e o totalitarismo os arraste para situações imprevisíveis. Existem sinais de esperança de que muitos setores estão se mobilizando para evitar a guerra, igrejas, organizações sociais e movimentos pela paz. No Fórum Social Mundial recentemente realizado em Porto Alegre, Brasil, as organizações participantes lançaram um chamado ao mundo para que no dia 15 de fevereiro se realizem marchas, mobilizações, jornadas de oração e jejum; em cada lugar que se encontrem: não à guerra, sim à paz, porque outro mundo é possível.

11 de febrero del 2003


El pueblo de EE.UU debe defenderse de... George W. Bush

Adolfo Pérez Esquivel
Adital


En la reciente carta que enviara al presidente George W. Bush le expreso que 'No desafíe a Dios;... no pretenda construir la Torre de Babel de la inmisericordia y el odio', arrastrado por la locura del poder para adueñarse del mundo. La posible guerra contra Irak es repudiada por la comunidad internacional, y apoyada por aquellos que buscan sus propios intereses económicos y políticos, como por el complejo industrial militar de los traficantes de la muerte.

'El pueblo de Estados Unidos no debe dejarse engañar por los grandes monopolios informativos que buscan endemoniar y generar enemigos reales o potenciales. Es necesario reaccionar frente a la grave situación internacional, que el gobierno de George W. Bush pretende arrastrar a una guerra contra Irak y contra el mundo. Hay sectores que dominados por el miedo se someten en nombre de la seguridad a la inseguridad' e hipotecan su libertad. La memoria es vida de la historia y nos ilumina los caminos que debemos recorrer; es necesario tener presente algunas enseñanzas del pasado'.

El 12 de enero de 1938, Hitler llama al entonces canciller de Austria a una reunión para decirle: esto no puede seguir más así. Yo soy un hombre enviado por la providencia para poner orden en el mundo. El que no esté conmigo, será destruido'. El 12 de febrero de 1938, Alemania invade Austria y se la anexa, el canciller austriaco es llevado al campo de concentración de Daschau, donde estuvo prisionero hasta la caída del nazismo.

Después del bárbaro atentado terrorista a las torres gemelas, el 11 de septiembre de 2001, escuchamos algo semejante: 'Quien no esté con nosotros, está con los terroristas.'

'Es la guerra del bien contra el mal', el anuncio de las 'guerras preventivas'. La neutralización de la ONU y los organismos internacionales que se opongan a su política hegemónica de poder para adueñarse de los recursos energéticos de Irak, como de otros países. A esto se suma la sumisión y complicidad de gobiernos como Gran Bretaña, España e Italia. El pueblo de Estados Unidos debe tener memoria de las políticas desarrolladas por sus gobiernos en el mundo, cargadas de violencia, invasiones y sometimiento de los pueblos. Debe hacer memoria de la guerra de Vietnam y las graves consecuencias para los pueblos y el mundo. Reaccionaron cuando los muertos eran soldados estadounidenses y llegaban en bolsas de plástico. El gobierno de Estados Unidos, que preside Bush, debe comprender que la fuerza no les da la razón, ni el derecho de imponer su voluntad y dominación al resto del mundo. El pueblo de Estados Unidos debe analizar con sentido crítico y humanitario las consecuencias de la guerra. Vuelvo a insistir una vez más; Todos sabemos cómo comienzan las guerras, pero nadie sabe cómo terminan; sí sabemos que el dolor, las muertes, el sufrimiento de las actuales y futuras generaciones y sus consecuencias las sufren los pueblos.

El pueblo estadounidense tiene la responsabilidad de actuar en defensa de la vida y la dignidad de las personas y los pueblos, antes que sea tarde y el totalitarismo los arrastre a situaciones imprevisibles. Existen signos de esperanza en que muchos sectores se están movilizando para evitar la guerra, iglesias, organizaciones sociales y movimientos por la paz. En el Foro Social Mundial recientemente realizado en Porto Alegre, Brasil, las organizaciones participantes lanzaron un llamado al mundo para que el 15 de febrero se realicen marchas, movilizaciones, jornadas de oración y ayuno; en cada lugar en que se encuentren: no a la guerra; sí a la paz, porque otro mundo es posible.

Tuesday, February 11, 2003

"BOICOTAR OS PRODUTOS MADE IN USA"
Riccardo Michelucci entrevista Johan Galtung
07.02.2003

L’Unità

Tradução Imediata


Para evitar um ataque ao Iraque, os pacifistas podem fazer ainda mais. É a opinião do norueguês Johan Galtung, um dos fundadores dos estudos modernos sobre a paz e a não-violência e autor de dezenas de textos fundamentais sobre o assunto. Recém-chegado à Itália para partecipar da inauguração do curso para operadores da paz da universidade de Florença, Galtung lançou suas propostas para enfrentar a crise atual.

Professor Galtung, as várias mobilizações que ocorreram na Europa neste início de 2003 e a grande manifestação prevista para o próximo dia 15 de fevereiro demonstram cada vez mais que as pessoas não querem a guerra, embora um ataque ao Iraque pareça cada vez mais iminente, o Sr, que trabalha há anos para encontrar maneiras eficazes para solucionar conflitos, o que sugere fazer?

- Creio que podemos fazer duas coisas. A primeira teria que ser feita pelos governos, convocando imediatamente uma conferência come aquela que ocorreu em Helsinki em julho de 1992, mas desta vez, voltada à segurança e à cooperação no Oriente Médio. Analogamente, acho que seja necessário discutir o problema do Curdistão e do Iraque. Nesse último caso, não desprezaria a possibilidade de fazer do Iraque uma federação e continuaria com a inspeção das armas de destruição em massa. Contudo, isso deveria ser feito também com relação a Israel, já que Tel Aviv seguramente dispões desse tipo de armamentos. E se Israel não consentir, é necessário fazê-lo com relação ao Iraque, tendo em mente que se trata de um problema universal. Isso é o que os governos podem fazer. As pessoas e as organizações não governamentais, por sua vez, podem fazer duas coisas, bastante drásticas. A primeira consiste na promoção de um boicote contra todos os produtos dos Estados Unidos, se Washington atacar o Iraque sem ter uma boa razão para fazê-lo. Em segundo lugar, acho que seria muito importante que pelo menos cem mil europeus formassem um escudo humano em Bagdá para evitar essa guerra. Eu, pessoalmente, estou pronto para participar como escudo humano, mas obviamente, não posso fazer isso sozinho.

Na sua opinião, a posição da ONU é determinante? Se o Conselho de Segurança votasse a favor da intervenção, o Sr. acharia justo?

- Na minha opinião não há nenhuma necessidade de se intervir no Iraque, é necessário, ao contrário, dialogar e negociar com o Iraque, conforme dizem também todos os especialistas iraquianos. Existe somente um pequeno grupo de pessoas na chefia dos EUA que tem uma opinião diferente, porque estão seriamente interessadas no petróleo iraquiano e querem favorecer também a expansão de Israel. Mas isso não tem nada a ver com aquilo que está sendo discutido nas Nações Unidas.

O Sr. acha que um ataque ao Iraque seja inevitável?

- Não sei, mas creio que a coisa mais importante seja aumentar a participação ao nível da sociedade civil. Quando a Itália toma uma decisão de política exterior relativamente ao Iraque, essa decisão não se insere nas relações entre a Itália e o Iraque, mas nas relações entre a Itália e os EUA. Portanto, não é nada mais do que uma relação clientelar. A mesma coisa vale para o meu governo norueguês. Quando os governos não sabem o que fazer, porque não sabem quase nada sobre o Iraque, então um novo tipo de ator deve se mobilizar: a sociedade civil internacional. É necessária uma alternativa aos governos: algo parecido existiu durante a guerra fria, que acabou, finalmente, de um modo pacífico.



07.02.2003
Johan Galtung: "Boicottiamo i prodotti made in Usa"
di Riccardo Michelucci

Per evitare un attacco in Iraq i pacifisti possono fare ancora di più. È il parere del norvegese Johan Galtung, uno dei fondatori dei moderni studi sulla pace e la nonviolenza e autore di decine di testi chiave sull'argomento. Giunto in Italia nei giorni scorsi per partecipare all'inaugurazione del corso di laurea per operatori di pace dell'università di Firenze, Galtung ha lanciato le sue proposte per fronteggiare l'attuale crisi.

Professor Galtung, le numerose mobilitazioni che hanno avuto luogo in Europa in questo inizio di 2003 e la grande manifestazione prevista per il prossimo 15 febbraio dimostrano sempre più che la gente non vuole la guerra, ciononostante un attacco all'Iraq sembra sempre più imminente, lei che da anni lavora per trovare forme efficaci per la risoluzione dei conflitti cosa suggerisce di fare?

- Credo che si possano fare due cose. La prima dovrebbero farla i governi, convocando immediatamente una conferenza come quella che si svolse a Helsinki nel luglio 1992, ma stavolta concentrata sulla sicurezza e la cooperazione nel Medioriente. Analogamente ritengo sia necessario discutere il problema del Kurdistan e dell'Iraq. In quest'ultimo caso non trascurerei la possibilità di fare dell'Iraq una federazione e andrei avanti anche con l'ispezione delle armi di distruzione di massa. Tuttavia questo dovrebbe essere fatto anche nei confronti di Israele, dal momento che Tel Aviv dispone sicuramente di questo tipo di armamenti. E se Israele non acconsente è necessario farlo intanto nei confronti dell'Iraq tenendo comunque presente che si tratta di un problema universale. Questo è quanto possono fare i governi. Le persone e le organizzazioni non governative da parte loro possono fare due cose, abbastanza drastiche. La prima consiste nel promuovere un boicottaggio nei confronti di tutti i prodotti degli Stati Uniti se Washington attacca l'Iraq senza avere alcuna buona ragione per farlo. In secondo luogo penso che sarebbe molto importante che almeno centomila europei formassero uno scudo umano a Bagdad per evitare questa guerra. Io personalmente sono pronto per farlo ma ovviamente non posso farlo da solo.

A suo avviso la posizione dell'Onu è determinante? Se il consiglio di sicurezza votasse a favore dell'intervento lei lo riterrebbe giusto?

- Secondo me non c'è alcuna necessità di intervenire in Iraq, bisogna al contrario dialogare e negoziare con l'Iraq, come dicono anche tutti gli esperti iracheni. C'è solo un piccolo gruppo di persone alla guida degli Stati Uniti che sono di un'opinione differente perché sono seriamente interessati al petrolio iracheno e vogliono favorire anche l'espansione di Israele. Ma questo non ha niente a che vedere con quanto viene attualmente discusso alle Nazioni Unite.

Crede un attacco all'Iraq sia ormai inevitabile?

- Non lo so ma credo che la cosa più importante sia accrescere la partecipazione a livello di società civile. Quando l'Italia prende una decisione a livello di politica estera relativamente all'Iraq questa non rientra nelle relazioni tra Italia e Iraq ma nei rapporti tra Italia e Usa. Dunque non è altro che una relazione clientelare. Lo stesso vale per il mio governo norvegese. Quando i governi non sanno cosa fare, perché loro non sanno quasi niente dell'Iraq, allora un nuovo attore deve mobilitarsi: la società civile internazionale. È necessaria un'alternativa ai governi, qualcosa di simile è esistito anche durante la guerra fredda, che si è conclusa infine in modo pacifico.

Monday, February 10, 2003

ORGANIZEM-SE, MANIFESTEM-SE

Michael Albert
Zmag.org

Tradução Imediata


Eu odeio política apocalíptica.

Eu me radicalizei com os movimentos dos direitos civis e o Vietnã. As pessoas gritavam enfurecidas contra a implosão do ambiente, contra a subida do fascismo, e contra o iminente Armagedon.

Os gritos continham provocações. Testemunhamos os assassinos em botas de soldados matarem ativistas Panteras em suas camas. Vimos os caças-bombardeiros massacrarem crianças e todo o tipo de criaturas vivas das alturas. Dois milhões de indochineses e muito mais morreram pela violência dos EUA. Venenos tóxicos fluíam livremente destruindo florestas e campos. Os rios morreriam também? – perguntavam as crianças a seus pais.

Tudo isso deu a milhões de pessoas da minha geração razões mais do que suficientes para se rebelarem contra a guerra, contra a pobreza, contra o sexismo, e contra todo o resto da montanha de violações sofridas pelos inocentes.

Tudo isso levou a uma oposição maciça. E houve uma repressão maciça contra a oposição, também.

Mesmo assim, nunca fiquei alarmado, de um modo alarmista. Por pior que fosse o comportamento da elite, por mais promissor que fosse o nosso ativismo, e portanto, tão perigoso quanto a sua própria época, nunca temi um realinhamento catastroficamente avassalador do mundo.

Apesar da magnitude das indignidades e das mortes, parecia sempre certo que os crimes dos homens em ternos de flanela cinza eram simplesmente os negócios de sempre, o ‘business as usual’ apenas intensificado. Todas as circunstâncias implacáveis e desoladoras dos anos 60, 70, 80 e 90 nunca pareciam destinadas a transcender as relações sociais existentes. Não havia nenhum novo regime ainda mais detestável ameaçando o mundo.

Mas preciso dizer que hoje, parece mesmo que os planos sendo perseguidos nas suítes, no Congresso, e na Casa Branca não são meramente uma intensificação dos negócios de sempre, do ‘business as usual’.

O movimento antiglobalização corporativa, prometendo um "regime" novo, mas muito mais humano, tem (com bons motivos) seriamente assustado os donos do universo. Mas o 11 de setembro lhes deu confiança e ímpeto.

O capitalismo, o patriarcalismo, o racismo e a globalização corporativa são suficientemente vis, mas de vez em quando – e, naturalmente, o nazismo da metade do século passado foi um exemplo essencial – algo até pior tenta emergir das camadas mais profundas do abismo e, ocasionalmente, consegue. E esse flagelo do mal parece estar querendo entrar em nosso mundo agora, diretamente do sétimo círculo do inferno, ou mesmo de mais além.

O ataque agora planejado contra o Iraque terá, se não o pararmos, consequências grotescas para os iraquianos e para todo o Oriente Médio como um todo, naturalmente. Se o ataque ocorrer, haverá uma ou duas semanas de explosões terroristas tumultuosas em Bagdá. Em seguida, a batalha, que nunca será realmente empreendida, já que há somente um sério combatente, será eficazmente concluída. A punição aérea poderá chover dos céus por mais algumas semanas, enquanto os meninotes armados jogarem suas cabeças até o último gemer iraquiano.

Cada nova engenhoca será testada, e sua eficácia avaliada pela pilha de restos carbonizados. Cada mecanismo envernizado de entrega e intensificação de morte será utilizado, com sua eficácia avaliada pelas almas maciçamente despedaçadas.

Será que Rumsfeld vai gravar as danças da vitória no Pentágono para algum reality TV show? Será que os fissurados em tecnolgia, na frente dos monitores de seus computadores devidamente plugados nos mísseis inteligentes espiralando em direção aos seus alvos, estarão ouvindo a Abertura de Guiherme Tell, como acompanhamento inspirador para sua ‘magia’, como fizeram durante a Primeira Guerra do Golfo?

Por mais repugnante que isso seja, se uma campanha chamada "Temor e Choque" ocorrer, sua grotesca violência contra a humanidade será apenas capitalismo, racismo, sexismo e autoritarismo, assim como existem na vida cotidiana, escalada pela oportunidade de violência. Os egócios de sempre. ‘Business as usual.’

E como o ‘business as usual’ é tão mau, precisamos nos encorajar e nos enfurecer contra isso. E porque precisamos estar não só moralmente, como também estrategicamente corretos, precisamos manifestar nossa fúria de modo inteligente.

Precisamos levantar tão alto a oposição pública que Bush sinta a ameaça social que representamos. Ele deve ser levado a concluir que, se perseguir plenamente seus fins, isso causaria mais danos ao seu eleitorado do que em caso contrário. Ou, se preferirem, ele deve sentir que promover a carnificina beneficiaria menos as elites do que o custo de ter que enfrentar a nossa oposição crescente. Precisamos colocar na pauta muitos tipos de oposição para levantar esses altos custos sociais.

Mas mesmo além dessas observações, se olharmos um pouco para frente e pensarmos na resposta terrorista desesperada que um ataque ao Iraque vai provocar a partir de algum canto na Arábia Saudita ou Jordânia ou Egito – aqui nos EUA – e se pensarmos nas respostas terroristas hiperbólicas que nosso governo vai dar – a participação, já agora astronômica, será ainda mais alta.

Bush & Co. sabem que se devastarmos novamente o Iraque, algum tipo de ataque será feito contra os EUA. Eles sabem que uma guerra vai contribuir para que isso ocorra. Um segundo ataque à população civil dos EUA facilitará ainda mais a plena implementação da agenda de Bush, e Bush & Co sabem disso, e talvez até isso seja aquilo que estão procurando.

Se os EUA bombardearem o Iraque, e se, por sua vez, alguém atacar os EUA, Bush e Ashcroft procurarão suprimir ainda mais as liberdades da população, através da intensificação da Lei Patriótica –Patriot Act – que se tornará a Lei da Liberdade sem Liberdade.

Bush e proprietários, no país todo, buscarão redistribuir ainda mais a riqueza e o poder para aqueles que já os têm, e exterminarão até o último vestígio de preocupação com o social e o público, com exceção do brilho de Wall Street. Será um paroxismo, um ataque convulsivo de nacionalismo racista.

Até mesmo os chocalhos nucleares da Coréia – e o nuclear definitivamente produz chocalhos barulhentos – soa como música de boas-vindas aos ouvidos de Bush. Sua cabala autoritária quer que a população dos EUA fique traumatizada pelo medo e pelo ódio, e para que isso ocorra a Bush & Co. precisa de alvos visivelmente e verbalmente agressivos que as pessoas possam temer e odiar, ignorantemente.

Dessa forma, Bush está feliz de convencer o mundo que só duas opções existem para cada país dentro da comunidade mundial. Ficar de bruços e implorar a caridade dos EUA, cumprindo cada instrução de Washington. Ou, agarrar firmemente o maior número possível de armas de destruição em massa que puderem ser adquiridas nos mercadores de armas na esperança de que com essas armas, possam ser evitados ataques dos EUA.

Algumas nações vão sucumbir e implorar. Outras vão procurar as armas. Essas últimas se tornarão forragem para as campanhas de ódio da mídia dos EUA e da máquina de guerra dos EUA.

Se Bush conseguir o que quer, um ataque ao Iraque não será uma guerra mas, é claro, um massacre apresentado como a mãe de todos os filmes de ‘ação’ – mostrando um grandíssimo número de vítimas reduzidas a ossos. A película será mostrada ao mundo em telão e Technicolor, com pipoca opcional. A meta de Bush será mostrar o filme a todos aqueles que puderem vir a ser rotulados pelos EUA de inimigos, de adversários, ou mesmo, apenas de irritantes enche-sacos… Que recuem… que retrocedam… Boom!!! Adeus.

Será que há limites internos, hoje em dia, para a política dos EUA, além das restrições que a elite teme por parte das imposições de dissidentes? Talvez, mas é difícil constatar o que sejam. Uma dica sobre o que poderá acontecer, se nossos assassinos egocêntricos ungidos conseguirem o que querem, enquanto os EUA colocam a Alemanha no mesmo rol da Líbia e de Cuba como opositores de nossa vontade, devido ao fato de que todos os três estão dizendo que se oporiam à guerra mesmo se o Conselho de Segurança se determinar a favor da guerra.

Manifestar-se contra a injustiça, a desigualdade, a indignidade, é sempre praticamente correto. Deveríamos fazê-lo tão naturalmente quanto comemos, ou amamos, ou expressamos nossa humanidade. Entretanto, mais importante ainda, deveríamos também construir continuamente uma oposição abrangente capaz de parar com essa onda de ‘business as usual’. E deveríamos manifestar, também, para mudar completamente a lógica das transações e interações em nosso mundo, para finalmente eliminar os negócios, assim como são praticados hoje. Organizem-se. Adeus – ao capitalismo.

Mas, verdade seja dita, há momentos em que manifestar se torna especialmente urgente. Esse aumento da urgência pode ser devida ao desdobramento de uma situação incrivelmente espantosa. Pode ser devido a perspectivas reais de que mega-manifestações podem reverter a corrente de modo iminente. Pode ser devido a crescente potencial de dissidência que precisa de cuidados e empenho para alcançar suas enormes possibilidades. Ou pode ser devido a todas as três razões, entre outras, ainda.

Fevereiro de 2003 é um desses momentos.

Para aumentar ulteriormente o seu poder imperial, Bush & Co. estão, no mínimo, planejando sujeitar cidadãos inocentes do Iraque a uma tempestade de mísseis que vão atemorizar e chocar, o que em linguagem sem rodeios significa mísseis que vão mutilar e subjugar.

No máximo, contudo, Bush & Co. embarcaram num processo de três canais.

Canal um: Girem o relógio cento e cinquenta anos atrás, quando as relações internacionais se baseavam somente na força bruta, de modo que os EUA possam explorar sua habilidade de vencer qualquer batalha violenta, em qualquer lugar e a qualquer momento.

Canal dois: Redistribuir a renda para os mais ricos, ainda mais que no passado, a riqueza e o poder remanejados para a elite ao interior dos EUA. Destruir os programas sociais vigentes faz muito tempo, os quais aliviam alguns dos males endêmicas do capitalismo. Agravem as diferenças e antagonismos de raça e sexo. Aprimorem as opções para o topo, afunilem as opções para todos os demais.

Canal três: Cortem o único impedimento sério para se perseguirem os canais um e dois, a poderosa e pública dissidência, aumentando a manipulação da mídia e escalando a repressão em todo o mundo, especialmente aqui nos EUA.

A oposição contra a guerra nos EUA e no mundo todo já se encontra em níveis sem paralelos – mesmo antes da guerra. Agora, nossos movimentos têm que agarrar o controle remoto e mudar para o canal quatro, onde o crescente ativismo pela paz e a justiça se baseia profundamente no tecido moral e social da sociedade, e cresce de modo gigantesco em todo o mundo.

Fazendo isso, poderemos talvez parar a guerra. Mesmo agora, o projeto Temor e Choque não tem uma conclusão prédeterminada.

E se não conseguirmos parar a guerra, poderemos seguramente reduzir os horrores de suas consequências.

E além dessa guerra, precisamos desenvolver um movimento que seja politicamente consciente, moralmente empenhado e criativamente organizado, tudo isso o suficiente para prevenir a próxima guerra.

E além de apenas prevenirmos guerras, precisamos construir um movimento que possa, literalmente, reverter as agendas reacionárias e continuar libertando alternativas para relacionamentos globais, ecologia, vida econômica, mulheres e famílias, comunidades culturais, assim que humana e socialmente possível.

Eu continuo detestando a organização apocalíptica.

Não é por não nos encontrarmos jamais numa situação apolíptica. Para dizer a verdade, há uma sensação de que nos confrontaremos sempre com resultados apocalípticos, até que um novo mundo exista.

É porque o ponto de vista radical, até mesmo nas situações mais apocalípticas, precisa sempre criar movimentos cada vez mais poderosos e conscientes, não só para criar reações a políticas imediatas, com compreensão limitada e empenho condicionado ao momento específico.

Venham participar da manifestação em 15-16 de fevereiro.

Mas venham com a intenção de voltar sempre, cada vez mais informados sobre todas as formas de injustiça, mais empenhados em procurar todas as formas de libertação, mais organizados para controlar nossas forças em nome de nossas visões, e mais positivos e esperançosos para dar apoio e inspiração a todos.
Para isso tudo, e não somente para respondermos ao momento apocalíptico, esse é o nosso caminho para a justiça e a libertação.

Precisamos nos opor ao apocalipse agora. Precisamos remover as causas de recorrência do apocalipse. Precisamos conquistar a paz e a justiça e um novo mundo que possa sustentar a ambas.




Michael Albert
ZNet / Z Magazine
www.zmag.org
sysop@zmag.org or malbert@zmag.org


Organize, Demonstrate!
By Michael Albert

Zmag.org

I hate apocalyptic politics.

I was radicalized by the civil rights movement and Vietnam. People
shouted all kinds of furor about the environment imploding, about
fascism rising, and about imminent Armageddon.

The hollering had provocation. We witnessed jackbooted thugs from the
FBI murdering Panther activists in their beds. We saw mile-high
bombardiers massacre children and all living creatures. Two million
Indochinese and more died by U.S. violence. Toxic poisons flowed freely
destroying forests and fields. Would the rivers die too, children asked
parents.

All this gave millions of my generation amply more than sufficient
reason to rebel against war, against poverty, against sexism, and
against all the rest of the mountain of violations innocent people
suffer.

It led to massive opposition. And there was massive repression of
opposition, as well.

Still, I never got alarmed in an alarmist manner. As bad as elite
behavior was, as promising as our activism was, and therefore as
dangerous as the times were, I never feared an overarching catastrophic
realignment of the world.

Despite the magnitude of the indignities and deaths, it always seemed
certain that the crimes of the men in grey flannel suits were just
intensified business as usual. All the grim and grievous circumstances
of the 60s, 70s, 80s, and 90s never seemed to me poised to transcend
existing social relations. There was no new more ugly regime threatening
the world.

But I have to say that today it does seem that plans now being pursued
in the suites, in the Congress, and in the White House, are not merely
an intensification of business as usual.

The anti-corporate globalization movement, promising a new but much more
humane world "regime", has (with good reason) seriously scared the
masters of the universe. But 9/11 has given them confidence and hubris.

Capitalism, patriarchy, racism, and corporate globalization are vile
enough, but every so often -- and of course the mid century Nazis were a
prime example -- something even worse tries to emerge out of still
deeper layers of hell, and occasionally it does. And such a scourge of
evil seems perhaps to be seeking entry into our world now, all the way
from the seventh circle, or further.

The assault now planned for Iraq will, if we don't stop it, have
grotesque consequences for Iraqis and for the Mideast as a whole, of
course. If the attack occurs, there will be a week or two of tumultuous
terroristic explosions in Baghdad. Then the battle, which will never
really be joined since there is only one serious combatant, will be
effectively ended. Airborne punishment may rain down for a few weeks
more as the boys with toys play out their hand to the last Iraqi groan.
Every new device will be tested, with its effectiveness evaluated by its
pile of charred remains. Every polished mechanism of delivery and
intensification will be utilized, with its effectiveness evaluated by
the souls massively shattered.

Will Rumsfeld videotape the victory dances in the Pentagon for reality
TV? Will the techies in front of their computer monitors plugged into
smart missiles spiraling into their targets play the William Tell
Overture as inspiring accompaniment to their wizardry, like they did
during the first Gulf War?

Disgusting as all this will be, if the campaign called "Awe and Shock"
occurs, its grotesque violence against humanity will just be capitalism,
racism, sexism, and authoritarianism as they exist in every day life,
escalated by violent opportunity. Business as usual.

And because business as usual is so bad, we need to rally and rage
against it. And because we need to not only be morally right, but also
strategic, we need to manifest our rage intelligently.

We must raise public opposition so high that Bush feels our social
threat. He must decide that to fully pursue his ends would harm his
elite constituencies more than to give in to our opposition would harm
them. Or, if you prefer, he must feel that to wage carnage would benefit
elites less than our growing opposition will harm them. We will need to
marshal a lot of opposition to raise such high social costs.

But beyond even these observations, if we look just a little ahead and
think about the desperate terroristic reply an attack on Iraq will
elicit from some corner of Saudi Arabia or Jordan or Egypt -- to be
delivered here in the U.S. -- and if we envision the infinitely
hyperbolic terroristic rejoinder our government will unleash back - the
already astronomical stakes rise even higher.

Bush and Co. know that if we again devastate Iraq some kind of attack on
the U.S. will follow. They know war will elicit it. A second assault on
U.S. citizens will help facilitate the full flourishing of Bush's
agenda, and Bush and Co know it, and perhaps even seek it.

If the U.S. bombs Iraq, and in turn someone attacks the U.S., Bush and
Ashcroft will seek to further strip legislated liberties via a greatly
intensified Patriot Act that will become a freedom from freedom act.

Bush and owners throughout the land will seek to further redistribute
wealth and power upward while working hard to exterminate every last
vestige of public concern for anything but Wall Street's radiance. It
will be a paroxysm of racist nationalism.

Even Korean nuke-rattling -- and nukes definitely make loud rattles --
seems to be welcome music to Bush's ears. His authoritarian cabal wants
the U.S. population traumatized by fear and loathing, and for this to
occur Bush and Co. need visible and verbally aggressive targets that
people can ignorantly fear and loathe.

Bush is therefore happy to convince the world that only two options
exist for each country in the world community. Lay supine and beg for
charity from the U.S. while obeying Washington's every instruction. Or,
grab firmly onto as many massively destructive weapons as you can
purchase from arms merchants in hopes that having such devices can ward
off U.S. assaults.

Some nations will collapse and beg. Other nations will follow the
weapons-seeking course. The latter will become fodder for the U.S.
media's hate campaigns and Bush's war machine.

If Bush has his way, an assault on Iraq will not be a war, of course,
but a massacre presented as the mother of all snuff films - displaying
countless defenseless victims blown to bones. The film will be shown to
the world in Technicolor and Widescreen, popcorn optional. Bush's point
will be to display for all to cower before the future prospects of
whomsoever the U.S. labels its enemy, or even just its adversary, or
even just an annoying irritant. Boom. Goodbye.

Are there internal limits on U.S. policy nowadays other than the
constraints that elite fear of dissent imposes? Perhaps, but it is hard
to see any as yet. There is a clue to what might come if our annointed
egocentric thugs get their way when the U.S. lumps Germany with Libya
and Cuba as the opponents of our will due to each saying they would
oppose war even if war gets Security Council support.

To demonstrate against injustice, inequity, and indignity is virtually
always right. We should do it as naturally as we eat or love, to express
our humanity. Even more important, however, we should also do it to
build a continually enlarging opposition able to stem the tide of
business as usual. And we should demonstrate, as well, to change the
logic of our world's transactions and interactions entirely, to finally
eliminate business as now know it. Organize. Goodbye -- to capitalism.

But, truth be told, there are times when demonstrating becomes
especially urgent. Such increased urgency can be due to an incredibly
dire unfolding situation. It can be due to horrible prospects that might
follow in the absence of dissent. It can be due to very real prospects
that major demonstrations could imminently turn the tide. It can be due
to a growing dissident potential which needs nurturing and commitment to
reach its enormous possibilities. Or it can be due to all these reasons
and more.

February 2003 is such a time.

To further their imperial power Bush and Co. are at least planning to
subject the innocent citizens of Iraq to a rain of missiles that will
awe and shock, which in realspeak means missiles that will mutilate and
subjugate.

At the most, however, Bush and Co. are embarked on a three-channel
process.

Channel one: Turn back the clock a hundred and fifty years to a time of
international relations that was based solely on brute force so that the
U.S. can then exploit our ability to win any violent battle anywhere,
anytime.

Channel two: Redistribute upwards, even more than in the past, wealth
and power within the U.S. Destroy long-standing social programs that
ameliorate some of the pain endemic to capitalism. Aggravate racial and
gender differences and antagonisms. Enhance options at the top, narrow
them for everyone else.

Channel three: Curtail the only serious impediment to pursuing channels
one and two, public and powerful dissent, by enlarging media
manipulation and escalating repression around the world and especially
here in the U.S.

Antiwar opposition in the U.S. and around the world is already at
unprecedented levels - even before a war. Now our movements have to grab
the remote and turn to channel four wherein widespread growing peace and
justice activism roots itself deeply in the moral and social fabric of
society and then grows gigantic all around the world.

Doing this, we may stop the war. Even now, project awe and shock is not
a foregone conclusion.

And if we don't stop the war, we can certainly reduce the horrors it
unleashes.

And beyond this war, we must develop a movement that is politically
conscious enough, morally committed enough, and creatively organized
enough, to prevent the next war.

And beyond just preventing wars, we need to build a movement that can
literally reverse reactionary agendas and go on to win liberating
alternatives for global relations, ecology, economic life, women and
families, and cultural communities, as soon as it is humanly and
socially possible.

I still hate apocalyptic organizing.

It is not because we are never in an apocalyptic situation. Truth be
told, there is a sense in which we will always are facing apocalyptic
outcomes until a new world is won.

It is because the radical point, even in the most apocalyptic
situations, needs to always be to create ever more powerful and aware
movements and not simply to create reactions to proximate policies with
limited comprehension and time-bound commitment.

Come out to demonstrate February 15-16.

But show up with every intention to come out again and again, each time
more informed about all manner of injustice, more committed to seek all
manner of liberation, more organized to wield our strength on behalf of
our visions, and more positive and hopeful in order to sustain and
inspire ourselves and others.

All that, and not just responding in the apocalyptic moment, is our path
to justice and liberation.

We have to oppose apocalypse now. We have to remove the causes of
recurring apocalypse. We have to win peace and justice and a new world
that will sustain both.




Michael Albert
ZNet / Z Magazine
www.zmag.org
sysop@zmag.org or malbert@zmag.org

Sunday, February 09, 2003

AS GRANJAS DA ESPERENÇA>>>>>>leia também artigos de Steffan e Monbiot abaixo>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Vandana Shiva
6 de fevereiro de 2003
INFOVERDES

Tradução Imediata

Há dois modelos que rivalizam para marcar o futuro da agricultura no mundo. Um está baseado na produção industrial em grande escala que utiliza custosas sementes híbridas modificadas geneticamente e insumos agroquímicos. Este modelo é monopolizado por um punhado de gigantescas empresas biotecnológicas/agroquímicas como Monsanto, Syngenta, Dow e Dupont e por um comércio mundial controlado por umas poucas corporações como Cargill, ADM e Pepsico.

O segundo modelo se baseia em pequenas granjas com sistemas ecológico-orgânicos e insumos naturais de uso interno de baixos custos e acessíveis para os produtores pobres.

O sistema de produção em grande escala e globalizado não é sustentável e se converte em uma fonte de desigualdade econômica e de insegurança alimentar. Porém se vende ao mundo através da tergiversação de seu verdadeiro funcionamento.

As justificações mais comuns das técnicas industriais na agricultura são as que se referem à sua "alta eficiência e produtividade", embora, de fato, esses sistemas registrem baixos níveis de produtividade se medirmos o uso total dos recursos e os resultados.
Ao contrário, as pequenas granjas que respeitam a biodiversidade têm uma produtividade muito mais alta em termos do uso eficiente dos recursos e uma maior produção de biomassa e de alimentos por unidade.

Esses cálculos enganosos das corporações servem para vender como certa a falsa afirmação de que sem agricultura industrial, sem pesticidas e sem organismos modificados geneticamente o mundo não pode ser alimentado.

Ao contrário, a solução para a fome está na promoção de pequenas granjas ecológicas.

A fome, contudo, não é só a consequência de uma carência de alimentos, como também de uma falta de acesso a eles.

O Prêmio Nobel de economia Amartya Sen assinalou que a fome é causada pela falta de acesso aos alimentos, devido à queda de renda dos camponeses, seja pelo aumento dos custos de produção ou pela diminuição dos preços agrícolas ou por ambas de uma vez.

A globalização da agricultura através dos programas de ajuste estrutural do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial ou pelas normas de liberalização do comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC) está causando uma redução de receitas dos pequenos e médios agricultores no Terceiro Mundo, já que provoca um aumento do custo dos insumos e uma baixa dos preços dos produtos.

A mudança do uso de sementes polinizadas naturalmente e acopladas pelos próprios agricultores ao de sementes híbridas não renováveis e modificadas geneticamente levou a muitos fracassos nas safras, endividamento dos agricultores e suicídio de não poucos entre eles.

Por outro lado, as proclamações das corporações sobre o resultado das safras com sementes modificadas geneticamente são habitualmente falsas e infladas. Por exemplo, sobre o programa de semeadura de milho com essas sementes a cargo da Monsanto no estado desértico do Rajasthan, Índia, a propaganda da empresa afirma que se conseguiram safras de 22 a 50 toneladas por hectare, enquanto os dados dos agricultores da zona indicam tão somente a quantidade de 1,7 toneladas por hectare.

Os preços mundiais das matérias-primas são distorcidos por outro fenômeno: uma combinação de altos subsídios para as exportações no Norte, que reduzem artificialmente os preços das matérias-primas exportadas; os pagamentos diretos aos agricultores, que permitem às corporações levarem os preços de aquisição abaixo do nível de subsistência dos mesmos e dos custos de produção; o desajuste entre os custos de produção e os preços das matérias-primas que fez do Acordo Agrícola da OMC um instrumento para legalizar o dumping e impor a eliminação das restrições às importações.

Enquanto as normas comerciais da OMC levam à eliminação forçada dos subsídios à agricultura doméstica em um país como a Índia, fazendo subir os custos de produção dos granjeiros locais, os produtos agrícolas ocidentais são importados a preços mantidos artificialmente baixos pelos maciços subsídios internos no Norte, permitidos pela OMC. À medida em que compramos os produtos substitutivos importados porque mediante aqueles mecanismos resultam mais baratos, aumenta o excedente de produtos indígenas que ficam sem serem vendidos e que então devem ser exportados a preços muito reduzidos. É como a globalização está causando grandes danos ao Terceiro Mundo, porque faz morrer de inanição os pobres para alimentar as corporações.

Se queremos criar segurança alimentar para todos, desde os lares até a comunidade, e da comunidade à toda a região, às nações e em escala global, o princípio sobre o qual se devem basear o comércio e a distribuição deve ser a localização e não a globalização.
6 de febrero del 2003


Las granjas de la esperanza

Vandana Shiva
INFOVERDES


Hay dos modelos que rivalizan por marcar el futuro de la agricultura en el mundo. Uno está basado en la producción industrial a gran escala que utiliza costosas semillas híbridas modificadas genéticamente e insumos agroquímicos. Este modelo es monopolizado por un puñado de gigantescas empresas biotecnológicas/agroquímicas como Monsanto, Syngenta, Dow y Dupont y por un comercio mundial controlado por unas pocas corporaciones como Cargill, ADM y Pepsico.

El segundo modelo se basa en pequeñas granjas con sistemas ecológico-orgánicos e insumos naturales de uso interno de bajos costos y accesibles para los productores pobres.

El sistema de producción a gran escala y globalizado no es sostenible y se convierte en una fuente de desigualdad económica y de inseguridad alimentaria. Pero se le vende al mundo a través de la tergiversación de su verdadero funcionamiento.

Las justificaciones más comunes de las técnicas industriales en la agricultura son las que se refieren a su "alta eficiencia y productividad", aunque, en los hechos, estos sistemas registran bajos niveles de productividad si se miden por el uso total de los recursos y los resultados.
En cambio, las pequeñas granjas que respetan la biodiversidad tienen una productividad mucho más alta en términos de uso eficiente de los recursos y una mayor producción de biomasa y de alimentos por unidad.

Estos cálculos engañosos de las corporaciones sirven para vender como cierta la falsa afirmación de que sin agricultura industrial, sin pesticidas y sin organismos modificados genéticamente el mundo no puede ser alimentado.

Al contrario, la solución para el hambre está en la promoción de pequeñas granjas ecológicas.

El hambre, sin embargo, no es sólo la consecuencia de una carencia de alimentos sino también de una falta de acceso a ellos.
El Premio Nóbel de economía Amartya Sen ha señalado que el hambre es causada por la falta de acceso a los alimentos, debido a la caída de los ingresos de los campesinos, ya sea por el aumento de los costos de producción o por la disminución de los precios agrícolas o por ambas causas a la vez.

La globalización de la agricultura a través de los programas de ajuste estructural del Fondo Monetario Internacional (FMI) y del Banco Mundial o por las normas de liberalización del comercio de la Organización Mundial del Comercio (OMC) está causando una reducción de los ingresos de los pequeños y medianos agricultores en el Tercer Mundo, ya que provoca un aumento del costo de los insumos y una baja de los precios de los productos.

El cambio del uso de semillas polinizadas naturalmente y acopiadas por los propios agricultores al de semillas híbridas no renovables y modificadas genéticamente ha llevado a muchos fracasos en las cosechas, endeudamiento de los agricultores y suicidio de no pocos de ellos.
Por otra parte, las proclamas de las corporaciones acerca del resultado de las cosechas con semillas modificadas genéticamente son habitualmente falsas e infladas. Por ejemplo, sobre el programa de siembra de maíz con esas semillas a cargo de Monsanto en el estado desértico de Rajasthan, India, la propaganda de la empresa afirma que se lograron cosechas de 22 a 50 toneladas por hectárea, mientras los datos de los agricultores de la zona indican tan sólo la cantidad de 1,7 toneladas por hectárea.

Los precios mundiales de las materias primas son distorsionados por otro fenómeno: una combinación de altos subsidios a las exportaciones en el Norte, que reducen artificialmente los precios de las materias primas exportadas; los pagos directos a los agricultores, que permiten a las corporaciones llevar los precios de adquisición por debajo del nivel de subsistencia de aquellos y de los costos de producción; el desajuste entre los costos de producción y los precios de las materias primas que ha hecho del Acuerdo Agrícola de la OMC un instrumento para legalizar el dumping e imponer la eliminación de las restricciones a las importaciones.

Mientras las normas comerciales de la OMC llevan a la eliminación forzosa de los subsidios a la agricultura doméstica en un país como la India, haciendo subir los costos de producción de los granjeros locales, los productos agrícolas occidentales son importados a precios mantenidos artificialmente bajos por los masivos subsidios internos en el Norte, permitidos por la OMC. En la medida que la gente compra los productos sustitutivos importados porque mediante aquellos mecanismos resultan más baratos, aumenta el excedente de productos indios que quedan sin vender y que entonces deben ser exportados a precios muy reducidos. Es así como la globalización está causando grandes daños en el Tercer Mundo, porque hace morir de inanición a los pobres para alimentar a las corporaciones.

Si queremos crear seguridad alimentaria para todos, desde los hogares a la comunidad y de allí a la región, a las naciones y a escala global, el principio sobre el que se deben basar el comercio y la distribución debe ser la localización y no la globalización.

O "SENDEIRO LUMINOSO" DE BUSH e BLAIR

Heinz Dieterich Steffan
8 de fevereiro de 2003

Rebelión


Tradução Imediata


"Salvo o poder, todo o resto é ilusão", costumava dizer o líder da organização terrorista peruana, Sendeiro Luminoso, Abimael Guzmán. Esta máxima da realpolitik do "Camarada Gonzalo" é a que rege a guerra de agressão de George W. Bush e Tony Blair contra o Iraque.

Se somente o poder conta, o direito e a ética – os dois principais obstáculos ao abuso do poder – são irrelevantes. E também são insignificantes a verdade, a solidariedade, o amor e o perdão. É o sonho totalitário do uso ilimitado do poder, sem freios nem limitações com o fim de impor seus próprios interesses aos interesses dos demais.
Essa negação do outro leva diretamente ao fascismo histórico europeu, do qual os novos cruzados anglo-estadunidenses se crêem tão distantes. Se Donald Rumsfeld, ministro da "defesa" do gabinete de George W. Bush ---e, junto com o vice-presidente Dick Cheney, um dos arquitetos da política guerreirista estadunidense--- se burlam da "velha Europa", que se nega a dar-lhes um cheque em branco para apoderarem-se do petróleo iraquiano, esquecem-se de que a gente de sua estirpe está seguindo precisamente as pegadas dos velhos europeus Adolf Hitler, Mussolini e Franco.

E isso não só em um sentido ideológico e amoral, como também muito prático. Não só a estratégia militar que utilizarão pela segunda vez contra o Iraque é uma versão avançada da famosa doutrina da Blitzkrieg dos nazistas, desenvolvida pelo General de Panzer, Heinz Guderian, como até a tecnologia de ataque que pretendem empregar é uma herança dos cientistas de Adolf Hitler.

Nas primeiras 48 horas do ataque, as forças de agressão dos EUA e Grã-Bretanha lançarão 3.000 mísseis cruzeiros teledirigidos de alta precisão contra objetivos iraquianos. A guerra começará "com uma grande explosão", ufanam-se os planejadores do Pentágono de seus artifícios bélicos, que foram empregados pela primeira vez na história por Hitler contra Londres. Esses foguetes cruzeiros, chamados pelos nazis V 1 (vingança 1), igualmente aos primeiros foguetes balísticos da história, os V 2 e os aviões de combate jet (ME 262), estiveram no primeiro lugar da lista do espólio de guerra, que Washington havia confeccionado para garantir-se a vantagem tecnológica decisiva para dominar a Nova Ordem Mundial do pós-guerra de 1945.

Atrás das tropas estadunidenses que entraram na Alemanha, iam unidades especiais de cientistas e técnicos com listas precisas das instituições de investigação e de produção bélica dos nazistas, que requereram ---sempre ganhando a competência aos ingleses e russos--- milhares de toneladas de armamento avançado, de patentes científicas e de urânio, para as guerras inevitáveis de sua Nova Ordem Mundial anticomunista.

Junto com o hardware, levaram consigo a elite científica que posteriormente garantiu a posição de vanguarda mundial dos Estados Unidos na indústria aeronáutica e, aos especialistas nazis em terrorismo de Estado. Muitas das guerras pós-1945 seriam guerras de guerrilha ---ou seja, contra os movimentos de libertação nacional--- previam os planejadores estratégicos de Washington, e ninguém tinha mais experiência no combate a esses movimentos de libertação nacional do que os nazistas. Nos territórios ocupados da União Soviética, dos Balcãs, da França e Itália, tinham se formado grandes movimentos guerrilheiros antinazistas e a repressão desses movimentos era um tesouro de know-how que a elite estadunidense cobiçava.

Em consequência, desde generais até simples torturadores nazistas foram levados aos Estados Unidos para integrar esse conhecimento de repressão de movimentos populares armados em seu arsenal guerreirista. Em um desses grupos de estudo, um general alemão que tinha combatido na URSS, confiou a seus alunos dos EUA uma lição que tinha aprendido com relação àquilo que os nazis chamaram de "guerra contra bandidos": incapazes de expulsar as guerrilhas russas dos pântanos do Pripjet com armas convencionais, em futuras guerras de contra-insurgência deveriam ser usadas armas nucleares para aniquilá-los.

Com o governo de George W. Bush, esta lição do general nazi é doutrina militar oficial de Washington, que ameaça qualquer ente social com a destruição preventiva nuclear. E o governo de Blair não fica atrás. Em 3 de fevereiro, o ministro britânico da "Defesa", Geoff Hoon, declarou em uma entrevista para a BBC que "Saddam pode estar completamente seguro de que, nas condições adequadas, estaríamos dispostos a utilizar armas nucleares".

Que a ameaça nuclear do governo de sua Majestade se dirija contra o Iraque, implica uma trágica ironia da história. Quando as tropas britânicas devastaram, de 1915 em diante, os povos da Mesopotâmia, hoje Iraque ---tal como Marcel Proust relatou em uma de suas últimas notáveis novelas--- o ícone da democracia ocidental e ministro do gabinete inglês, Winston Churchill, recomendava o uso do gás letal contra "as incivilizadas tribos árabes", incluindo a população civil. Esta é a "velha Europa" que o novo fascismo anglo-estadunidense pretende reavivar com as armas e a ideologia aperfeiçoada de Hitler, para submeter a humanidade a outros quinhentos anos de opressão e exploração.
E, da mesma forma que Hitler, seus herdeiros calculam a guerra de agressão como negócio. Os enormes custos do rearmamento alemão de 1933 a 1939, financiado pelo keynesianismo militar dos nazis, tinham que ser cobertos de alguma forma, caso contrário, o milagre econômico de Hitler ia terminar em uma catástrofe econômica devido aos gigantesco déficit do Estado. Esse endividamento seria pago pelos vizinhos, decidia Hitler, e a mesma coisa foi decidida para a guerra de rapina contra o Iraque.
"O governo de um Novo Iraque rembolsaria os Estados Unidos e a Grã-Bretanha pelo muito que será gasto durante a guerra e a implementação de um governo de transição", escreveu o colunista do The New York Times, e amigo pessoal do Primeiro Ministro israelense Ariel Sharon, William Safire, em outubro do ano passado, acrescentando que tampouco pagará "a corrupta ´dívida´ de 8 bilhões de dólares que a Rússia reclama de Saddam".

Pagando as vítimas os custos da guerra de agressão e reconstrução; entregando as maiores reservas petrolíferas do mundo, superiores às da Arábia Saudita, como agora se descobriu; cedendo o maior sistema fluvial e as reservas de água doce do Oriente Médio (os rios Tigre e Eufrates), de vital importância para Israel; podendo experimentar sob condições reais a eficácia da primeira brigada de tanques totalmente digitalizada, dentro da nova concepção militar do campo de batalha eletrônico, Air-Land Battle 2000 e das novas armas de alta energia, do tipo laser e de microondas; podendo debilitar estrategicamente a Rússia, a China e o eixo Berlim-Paris, enfim, tudo isso é um meganegócio, que nenhuma elite imperial pode rejeitar.

A histeria da classe política estadunidense frente à resistência da Alemanha, França e Bélgica, frente ao novo fascismo da troika Bush, Blair e Sharon, encontra a sua explicação. Ninguém deve interferir com o negócio do século, e assim o compreenderam os empregados políticos do Wall Street Journal na Europa, José Maria Aznar e Silvio Berlusconi, que prestaram fidelidade à nova troika mediante sua servil carta de submissão, publicada pelo jornal do sub-imperialismo espanhol, El País, em 30 de janeiro.

O governo polonês, por sua vez, decidiu lançar a sua sorte com a Grã-Bretanha e os EUA, frente à histórica ameaça que têm sido a Rússia e a Alemanha. Apesar disso, na atual repetição da tragédia dos anos trinta, os pretensos salvadores da Polônia são a pior ameaça para a humanidade. Se a democracia imperialista britânica-estadunidense de 1939 era preferível ao totalitarismo imperialista da Alemanha nazista, hoje é o contrário.

Uma grande parte da opinião pública informada entende isso. Em uma sondagem de opinião eletrônica da edição européia da revista Time, 318.000 pessoas responderam a pergunta: "Que país representa o maior perigo para a paz mundial no ano 2003?", da seguinte maneira: Coréia do Norte, 7 porcento; Iraque, 8 porcento; os Estados Unidos, 84 porcento.
Porém, como na lógica do Camarada Gonzalo, de George W. Bush e de Tony Blair, "salvo o poder, todo o resto é ilusão", a opinião mundial informada não importa. O que deve aprender essa opinião mundial é que os novos fascistas já não falam o idioma de Goethe. Hoje falam o idioma de Shakespeare.
8 de febrero del 2003


El Sendero Luminoso de Bush y Blair

Heinz Dieterich Steffan
Rebelión


"Salvo el poder, todo lo demás es ilusión", solía decir el líder de la organización terrorista peruana, Sendero Luminoso, Abimael Guzmán. Esta máxima de la realpolitik del "Camarada Gonzalo" es la que rige la guerra de agresión de George W. Bush y Tony Blair contra Irak.

Si sólo el poder cuenta, el derecho y la ética ---los dos principales obstáculos al abuso del poder--- son irrelevantes. Y también son insignificantes la verdad, la solidaridad, el amor y el perdón. Es el sueño totalitario del uso ilimitado del poder, sin frenos ni limitaciones a fin de imponer sus propios intereses a los intereses de los demás.

Esa negación del otro lleva directamente al fascismo histórico europeo, del cual los nuevos cruzados anglo-estadounidenses se creen tan lejos. Si Donald Rumsfeld, ministro de "defensa" en el gabinete de George W. Bush ---y, junto con el vicepresidente Dick Cheney, uno de los dos arquitectos de la política guerrerista estadounidense--- se burla de la "vieja Europa", que se niega a darle un cheque en blanco para apoderarse del petróleo iraquí, se le olvida que la gente de su estirpe está siguiendo precisamente las huellas de los viejos europeos Adolf Hitler, Mussolini y Franco.

Y esto no sólo en un sentido ideológico y amoral, sino muy práctico. No sólo la estrategia militar que utilizarán por segunda vez contra Irak es una versión avanzada de la famosa doctrina del Blitzkrieg de los nazis, desarrollada por el General de Panzer, Heinz Guderian, sino hasta la tecnología de ataque que pretenden emplear es una herencia de los científicos de Adolf Hitler.

En las primeras 48 horas del ataque, las fuerzas de agresión de Estados Unidos y Gran Bretaña lanzarán 3000 mísiles cruceros teledirigidos de alta precisión contra objetivos iraquíes. La guerra comenzará "en una gran explosión", se ufanan los planeadores del Pentágono de sus artificios bélicos, que fueron empleados por primera vez en la historia por Hitler contra Londres. Esos cohetes cruceros, llamados por los nazis V 1 (venganza 1), al igual que los primeros cohetes balísticos de la historia, los V 2 y los aviones de combate jet (ME 262), estuvieron en primer lugar de la lista del botín de guerra, que Washington había confeccionada para garantizarse la ventaja tecnológica decisiva para dominar el Nuevo Orden Mundial de la posguerra de 1945.

Detrás de las tropas estadounidenses que entraron a Alemania, iban unidades especiales de científicos y técnicos con listas precisas de las instituciones de investigación y de producción bélica de los nazis, que requirieron ---siempre ganándole la competencia a los ingleses y rusos--- miles de toneladas de armamento avanzado, de patentes científicos y de uranio, para las guerras inevitables de su Nuevo Orden Mundial anti-comunista.

Junto con el hardware se llevaron a la elite científica que posteriormente garantizó la posición de vanguardia mundial de Estados Unidos en la industria aeronáutica y, a los especialistas nazis en terrorismo de Estado. Muchas de las guerras post-1945 iban a ser guerras de guerrilla ---es decir, contra movimientos de liberación nacional--- preveían los planeadores estratégicos de Washington, y nadie tenía más experiencia en combatir esos movimientos de liberación nacional que los nazis. En los territorios ocupados de la Unión Soviética, del Balcano, de Francia e Italia, se habían formado grandes movimientos guerrilleros anti-nazi y la represión de esos movimientos era un tesoro de know how, que la elite estadounidense codiciaba.

En consecuencia, llevó desde generales hasta simples torturadores nazis a Estados Unidos para integrar ese conocimiento de represión de movimientos populares armados en su arsenal guerrerista. En uno de esos grupos de estudio, un general alemán que había combatido en la URSS les confió a sus educandos estadounidenses una lección que había aprendido en lo que los nazis llamaron la "guerra contra bandidos": incapaces de expulsar a las guerrillas rusas de los pantanos del Pripjet con armas convencionales, se debía usar en futuras guerras de contrainsurgencia armas nucleares para aniquilarlos.

Bajo el gobierno de George W. Bush, esta lección del general nazi es doctrina militar oficial de Washington que amenaza a cualquier ente social con la destrucción preventiva nuclear. Y el gobierno de Blair no se queda atrás. El 3 de febrero, el ministro británico de "Defensa", Geoff Hoon, declaró en una entrevista con la BBC que "Saddam puede estar completamente seguro de que, en las condiciones adecuadas, estaríamos dispuestos a utilizar armas nucleares".

Que la amenaza nuclear del gobierno de su Majestad se dirija contra Irak, implica una trágica ironía de la historia. Cuando las tropas británicas devastaron, de 1915 en adelante, a los pueblos de Mesopotamia, hoy Irak ---tal como Marcel Proust relató en una de sus últimas notables novelas--- el icono de la democracia occidental y ministro del gabinete inglés, Winston Churchill, recomendaba el uso de gas letal contra "las incivilizadas tribus árabes", incluyendo la población civil. Esta es la "vieja Europa" que el nuevo fascismo anglo-estadounidense pretende reavivar con las armas y la ideología perfeccionada de Hitler, para someter a la humanidad a otros quinientos años de opresión y explotación.
Y al igual que Hitler, sus herederos calculan la guerra de agresión como negocio. Los enormes costos del rearmamento alemán de 1933 a 1939, financiado por el keynesianismo militar de los nazis, tenían que cubrirse de alguna forma, si no, el milagro económico de Hitler iba a terminar en una catástrofe económica debido a los gigantescos déficit del Estado. Ese endeudamiento lo iban a pagar los vencidos, decidía Hitler, y lo mismo se ha decidido para la guerra de rapiña contra Irak.

"El gobierno de un Nuevo Irak rembolsaría a Estados Unidos y Gran Bretaña mucho de lo que gastó durante la guerra y la implementación de un gobierno de transición", escribió el columnista del The New York Times, y amigo personal del Primer Ministro israelí, Ariel Sharon, William Safire, en octubre del año pasado, añadiendo que tampoco pagará "la corrupta ´deuda´ por 8 mil millones de dólares que Rusia le reclama a Saddam".

Pagando las víctimas los costos de la guerra de agresión y reconstrucción; entregando las mayores reservas petrolíferas del mundo, superiores a las de Arabia Saudita, como ahora se ha revelado; cediendo el sistema fluvial y las reservas de agua dulce más grandes de Medio Oriente (los ríos Tigris y Euphrates), de vital importancia para Israel; pudiendo experimentar bajo condiciones reales la efectividad de la primera brigada de tanques totalmente digitalizada, dentro de la nueva concepción militar del campo de batalla electrónico, Air-Land Battle 2000, y, de las nuevas armas de alta energía, de tipo láser y de microondas; pudiendo debilitar estratégicamente a Rusia, China y el eje Berlín-Paris, en fin, todo esto es un meganegocio, que ninguna elite imperial puede rechazar.

La histeria de la clase política estadounidense ante la resistencia de Alemania, Francia y Bélgica, frente al nuevo fascismo de la troika Bush, Blair y Sharon, encuentra aquí su explicación. Nadie debe interferir con el negocio del siglo, y así lo han entendido los empleados políticos del Wall Street Journal en Europa, José Maria Aznar y Silvio Berlusconi, que rindieron pleitesía a la nueva troika mediante su servil carta de sumisión, publicada por el diario del subimperialismo español, El País, el 30 de enero.
El gobierno polaco, a su vez, ha decidido echar su suerte con Gran Bretaña y Estados Unidos, ante la histórica amenaza que han sido Rusia y Alemania. Sin embargo, en la actual repetición fársica de la tragedia de los años treinta, los pretendidos salvadores de Polonia son la peor amenaza para la humanidad. Si la democracia imperialista británica-estadounidense de 1939 era preferible al totalitarismo imperialista de la Alemania nazi, hoy es al revés.

Una gran parte de la opinión pública informada entiende esto. En una encuesta de opinión electrónica de la edición europea de la revista Time, 318,000 personas contestaron la pregunta: "¿Qué país representa el mayor peligro para la paz mundial en el año 2003?", de la siguiente manera: Corea del Norte, 7 por ciento; Irak, 8 por ciento; los Estados Unidos, 84 por ciento.

Pero, como en la lógica del Camarada Gonzalo, de George W. Bush y de Tony Blair, "salvo el poder, todo lo demás es ilusión", la opinión mundial informada no importa. Lo que debe aprender esta opinión mundial es, que los nuevos fascistas ya no hablan el idioma de Goethe. Hoy hablan el idioma de Shakespeare.

MAIS FORTE DO QUE NUNCA
Longe de fracassar, o Movimento para a Justiça Global está crescendo em números e maturidade

George Monbiot
Publicado na terça-feira, 28 de janeiro de 2003 no "The Guardian"/UK

Tradução Agência Imediata

O Sr. Bush e o Sr. Blair poderiam ter uma luta mais dura daquela que imaginaram. Não da parte de Saddam Hussein, talvez, - embora ainda não seja tão óbvio que eles possam capturar e manter as cidades iraquianas sem verificarem grandes perdas — mas da parte do movimento contra a guerra, que está começando a parecer com algo nunca visto antes.

Não é somente o fato de que as pessoas começaram a se juntar em grandes números mesmo antes de ter sido dado o primeiro tiro. Não é somente o fato de que elas estão fazendo isso sem o estímulo da conscrição ou qualquer outra ameaça direta ao seu bem estar. Não é somente o fato de que têm havido reuniões ou demonstrações em praticamente cada nação da Terra. É também o fato de que a campanha está sendo coordenada globalmente com uma precisão sem precedentes. E as pessoas em parte responsáveis por isso são membros de um movimento que, mesmo durante as últimas semanas, os canais de comunicação de massa declararam extinto.

No ano passado, 40.000 membros do movimento para a justiça global se encontraram no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, Brasil. Neste ano, mais de 100.000 pessoas de 150 nações vieram — para um encontro! Raramente o mundo viu assembléias políticas deste tipo, desde os "encontros gigantescos" de Daniel O'Connell, na década de 1840.

Longe de desvanecer, nosso movimento cresceu muito mais do que poderíamos ter imaginado. O 11 de Setembro abafou os protestos por um período, mas desde então eles voltaram com ainda maior veemência, em todo o mundo, exceto nos EUA. A última grande manifestação global foi o comício durante a reunião de cúpula européia, em Barcelona. Cerca de 350.000 ativistas ressuscitaram dos mortos. Eles vieram, apesar da resposta assustadora às marchas de junho de 2001 em Gênova, quando a polícia invadiu os alojamentos dos manifestantes, espancando-os com cassetetes, enquanto estavam deitados em seus sacos de dormir, torturando tantos outros manifestantes e matando um homem com um tiro.

Mas nem a resposta violenta, nem o 11 de setembro, nem a indiferença da mídia puderam sufocar esse levante. Sempre prontos a acreditar em suas próprias estórias, as agências noticiosas da grande mídia têm interpretado a ausência de cobertura (pelas mesmas agências), como uma ausência de atividade. Uma de nossas recentes descobertas é que não precisamos mais delas. Temos os nossos próprios canais de comunicação, nossos websites e panfletos e revistas, e aqueles que desejam nos encontrar, podem fazê-lo sem precisar delas. Elas podem dar-nos como mortos o quanto quiserem, mas nós, a cada vez, ressuscitaremos.

A mídia pode ser perdoada por esperar por nosso desaparecimento. No passado, era difícil manter movimentos globais deste tipo. A internacional socialista, por exemplo, foi interrompida, como sabemos, pelo nacionalismo. Quando as nações a que pertenciam os camaradas foram à guerra, eles esqueceram de sua luta comum e levantaram as armas os uns contra os outros. Mas agora, graças à globalização que alguns membros do movimento contestam, o nacionalismo é uma força muito mais fraca. Cidadãos americanos estão se encontrando e debatendo com iraquianos, ainda que seus países se preparem para a guerra. Não podemos mais ser convocados às cegas. Nossa lealdade é para com os princípios que defendemos e para com aqueles com os quais os compartilhamos, independentemente de onde provenham.
Uma das razões pelas quais o movimento parece destinado a crescer é que ele fornece o único canal importante através do qual podemos nos engajar com relação às questões mais críticas. A mudança climática, a dívida internacional, a pobreza, a hegemonia das nações do G8, o FMI e o Banco Mundial, a exaustão dos recursos naturais, a proliferação nuclear e o conflito de baixo nível são os temas principais nas vidas da maioria das pessoas do mundo, mas temas menores em qualquer discurso político ‘oficial’. Dizem-nos que as besteiras que apodrecem a mente e que agora enchem as páginas dos jornais são uma resposta comercial necessária às demandas dos leitores mais jovens. Pode ser que isso seja verdade, até um certo ponto. Mas há dezenas de milhares de jovens que têm menos interesse na cultura de celebridades do que Geroge Bush tem por Wittgenstein. Eles desenvolveram sua própria escala de valores, e se conferiram novos direitos a si próprios, saindo em busca daquilo que acreditam ser importante. Para a grande maioria dos ativistas — aqueles que vivem no mundo pobre — o movimento oferece o único meio eficaz de alcançar pessoas nas nações mais ricas.

Com muita frequência, disseram-nos que a razão pela qual estamos mortos é porque fomos ultrapassados e englobados pela campanha anti-guerra. Seria mais correto dizer que a campanha contra a guerra tem, em grande parte, crescido a partir do movimento pela justiça global. Esse movimento nunca reconheceu a distinção entre o poder dos governos do mundo rico e as instituições por ele apontadas (o FMI, o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio) para declarar guerra econômica e o poder dos mesmos governos, trabalhando através de diferentes instituições (o Conselho de Segurança da ONU, a NATO) para enviar os bombardeadores. Longe de competir com nossas preocupações, a guerra iminente tem fortalecido nossa determinação de enfrentar o problema da grotesca má distribuição de poder que permite que poucos governos nacionais imponham um mandato global. Quando os ativistas deixarem Porto Alegre, amanhã, eles levarão para casa, em suas 150 nações, uma nova resolução para tornar a luta contra a guerra no Iraque numa contenda a respeito do futuro do mundo.

Enquanto jovens ativistas estiverem entusiasmados em absorver a experiência de pessoas como Noam Chomsky, Tariq Ali, Lula, Victor Chavez, Michael Albert e Arundhati Roy, todas elas falando em Porto Alegre, nosso movimento é, por enquanto, mais entusiasmado do que sábio, ardente por paixões que ainda devemos controlar. Ainda devemos compreender, apesar da reação da polícia em Gênova, a determinação mecânica de nossos oponentes.

Ainda estamos prontos demais para acreditar que as marchas espetaculares possam mudar o mundo. Enquanto a divisão entre os marxistas, os anarquistas e os liberais do movimento forem bem ensaiadas, nossa divisão real — entre os diversalistas e os universalistas — tem sido pouco explorada até agora. A maioria do movimento acredita que o melhor meio de reconquistar o controle sobre a vida política é através da ação comunitária local. Uma fração menor (à qual eu pertenço) acredita que essa resposta é insuficiente, e que devemos procurar criar instituições globais democraticamente responsáveis. Por enquanto, os debates têm sido emudecidos. Mas quando emergirão, serão ferozes.
Por tudo isso, creio que a maioria entre nós percebeu que algo mudou, que estamos começando a deixar de fazer jogo e encenar festas, que estamos começando a desenvolver uma análise mais madura, uma melhor compreensão das táticas, um entendimento da necessidade de uma política. Em outras palavras, estamos começando, pela primeira vez, a parecer um movimento revolucionário. Estamos também achando, entre alguns dos estados endividados do mundo pobre, uma nova disposição para se engajarem conosco. Fazendo isso, elas aceleram nosso amadurecimento: quanto mais a sério formos levados, tanto mais a sério nos levaremos a nós mesmos.

O fato de sermos percebidos ou não já não é mais relevante. Sabemos que, com ou sem a ajuda da grande mídia comercial, somos uma força agregada que, um dia, talvez, ninguém conseguirá conter.

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Published on Tuesday, January 28, 2003 by the Guardian/UK
Stronger than Ever
Far From Fizzling Out, The Global Justice Movement is Growing in Numbers and Maturity

by George Monbiot

Mr Bush and Mr Blair might have a tougher fight than they anticipated. Not from Saddam Hussein perhaps - although it is still not obvious that they can capture and hold Iraq's cities without major losses - but from an anti-war movement that is beginning to look like nothing the world has seen before.

It's not just that people have begun to gather in great numbers even before a shot has been fired. It's not just that they are doing so without the inducement of conscription or any other direct threat to their welfare. It's not just that there have already been meetings or demonstrations in almost every nation on Earth. It's also that the campaign is being coordinated globally with an unprecedented precision. And the people partly responsible for this are the members of a movement which, even within the past few weeks, the mainstream media has pronounced extinct.
Last year, 40,000 members of the global justice movement gathered at the World Social Forum in Porto Alegre, Brazil. This year, more than 100,000, from 150 nations, have come - for a meeting! The world has seldom seen such political assemblies since Daniel O'Connell's "monster meetings" in the 1840s.

Far from dying away, our movement has grown bigger than most of us could have guessed. September 11 muffled the protests for a while, but since then they have returned with greater vehemence, everywhere except the US. The last major global demonstration it convened was the rally at the European summit in Barcelona. Some 350,000 activists rose from the dead. They came despite the terrifying response to the marches in June 2001 in Genoa, where the police burst into protesters' dormitories and beat them with truncheons as they lay in their sleeping bags, tortured others in the cells and shot one man dead.

But neither the violent response, nor September 11, nor the indifference of the media have quelled this rising. Ever ready to believe their own story, the newsrooms have interpreted the absence of coverage (by the newsrooms) as an absence of activity. One of our recent discoveries is that we no longer need them. We have our own channels of communication, our own websites and pamphlets and magazines, and those who wish to find us can do so without their help. They can pronounce us dead as often as they like, and we shall, as many times, be resurrected.
The media can be forgiven for expecting us to disappear. In the past, it was hard to sustain global movements of this kind. The socialist international, for example, was famously interrupted by nationalism. When the nations to which the comrades belonged went to war, they forgot their common struggle and took to arms against each other. But now, thanks to the globalization some members of the movement contest, nationalism is a far weaker force. American citizens are meeting and de bating with Iraqis, even as their countries prepare to go to war. We can no longer be called to heel. Our loyalty is to the principles we defend and to those who share them, irrespective of where they come from.
One of the reasons why the movement appears destined only to grow is that it provides the only major channel through which we can engage with the most critical issues. Climate change, international debt, poverty, the hegemony of the G8 nations, the IMF and the World Bank, the depletion of natural resources, nuclear proliferation and low-level conflict are major themes in the lives of most of the world's people, but minor themes in almost all mainstream political discourse. We are told that the mind-rotting drivel which now fills the pages of the newspapers is a necessary commercial response to the demands of younger readers. This may, to some extent, be true. But here are tens of thousands of young people who have less interest in celebrity culture than George Bush has in Wittgenstein. They have evolved their own scale of values, and re-enfranchised themselves by pursuing what they know to be important. For the great majority of activists - those who live in the poor world - the movement offers the only effective means of reaching people in the richer nations.

We have often been told that the reason we're dead is that we have been overtaken by and subsumed within the anti-war campaign. It would be more accurate to say that the anti-war campaign has, in large part, grown out of the global justice movement. This movement has never recognized a distinction between the power of the rich world's governments and their appointed institutions (the IMF, the World Bank, the World Trade Organization) to wage economic warfare and the power of the same governments, working through different institutions (the UN security council, Nato) to send in the bombers. Far from competing with our concerns, the impending war has reinforced our determination to tackle the grotesque maldistribution of power which permits a few national governments to assert a global mandate. When the activists leave Porto Alegre tomorrow, they will take home to their 150 nations a new resolve to turn the struggle against the war with Iraq into a contest over the future of the world.

While younger activists are eager to absorb the experience of people like Noam Chomsky, Tariq Ali, Lula, Victor Chavez, Michael Albert and Arundhati Roy, all of whom are speaking in Porto Alegre, our movement is, as yet, more eager than wise, fired by passions we have yet to master. We have yet to understand, despite the police response in Genoa, the mechanical determination of our opponents.

We are still rather too prepared to believe that spectacular marches can change the world. While the splits between the movement's marxists, anarchists and liberals are well-rehearsed, our real division - between the diversalists and the universalists - has, so far, scarcely been explored. Most of the movement believes that the best means of regaining control over political life is through local community action. A smaller faction (to which I belong) believes that this response is insufficient, and that we must seek to create democratically accountable global institutions. The debates have, so far, been muted. But when they emerge, they will be fierce.

For all that, I think most of us have noticed that something has changed, that we are beginning to move on from the playing of games and the staging of parties, that we are coming to develop a more mature analysis, a better grasp of tactics, an understanding of the need for policy. We are, in other words, beginning for the first time to look like a revolutionary movement. We are finding, too, among some of the indebted states of the poor world, a new preparedness to engage with us. In doing so, they speed our maturation: the more we are taken seriously, the more seriously we take ourselves.

Whether we are noticed or not is no longer relevant. We know that, with or without the media's help, we are a gathering force which might one day prove unstoppable.

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